O governo britânico ofereceu ajuda às autoridades espanholas para fazer frente ao recente fluxo de milhares de migrantes de Marrocos, que entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte de África. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (31) pelo primeiro-ministro, Andy Burnham.
“Esta é, obviamente, uma questão relevante da esfera do governo espanhol, mas causa preocupação”, declarou a jornalistas o primeiro-ministro britânico.
“Estamos atualmente em contato com as autoridades espanholas para oferecer o nosso apoio, mas também para compreender melhor as implicações desta situação”, acrescentou, sem especificar que tipo de ajuda ofereceu.
Cerca de 60 mil migrantes irregulares provenientes de Marrocos, de acordo com o governo autônomo de Ceuta, chegaram ao enclave espanhol nos últimos dias, desencadeando uma crise migratória naquele território e uma crise diplomática na Europa.
Vários países europeus reagiram à crise, pedindo a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, zona de livre circulação de pessoas na Europa, ou exigindo que o governo espanhol não permita a entrada dos migrantes marroquinos no continente.
O Reino Unido não faz parte do Espaço Schengen.
“Estamos reunindo as autoridades competentes e estamos prontos para agir, inclusive por meio de medidas excepcionais, como a suspensão do Espaço Schengen com Espanha”, afirmou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
A proposta de Meloni já foi apoiada pela Finlândia e pela Dinamarca.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu à Espanha que “não permita a entrada de migrantes irregulares no continente europeu” e a Marrocos que “receba imediatamente de volta os migrantes irregulares”.
Entenda o caso
Originários da cidade marroquina de Fnideq, que faz fronteira com o enclave espanhol, os migrantes chegaram durante a noite por terra e por mar nos últimos dias, e o fluxo intensificou-se na quinta-feira (30).
Eram, em sua maioria, jovens e adolescentes que atravessavam as altas vedações de arame farpado que marcam a fronteira ou que as contornavam pelo mar.
Alguns dos jovens mal sabiam nadar e usavam boias. Foram encontrados 34 migrantes mortos, incluindo 18 que se afogaram quando tentavam atravessar a fronteira pelo mar, segundo fonte policial.
Ceuta é um pequeno território de 80 mil habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar. É uma das duas fronteiras terrestres entre a África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
Nesta sexta-feira (31) pela manhã, milhares de jovens migrantes estavam reunidos nas praias, alguns aquecendo-se à volta de fogueiras, outros adormecidos, sob o olhar atento de um grande número de polícias.
O fluxo migratório teria sido desencadeado por rumores sobre a abertura da fronteira entre Marrocos e Ceuta, espalhados nas redes sociais.
Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que chegou hoje de manhã a Ceuta acompanhado do ministro do Interior, classificou a situação como “um ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha” e acusou “as máfias” de traficantes de migrantes de estarem por trás do rumor de que a fronteira tinha sido aberta.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
